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Eu não fui/sou tudo na vida da minha mãe.

  • 31 de mai. de 2024
  • 2 min de leitura


Foi justamente por isso que agradeci e parabenizei a minha mãe hoje.

Sempre soube que nós, os filhos, éramos importantes e amados por ela. Mas não éramos tudo pra ela. Que alívio! Amor na liberdade.

Ela tinha ( e aqui falo no passado porque me refiro a minha infância e adolescência ) outros interesses, outros compromissos, não só trabalho intenso, mas também outras vontades. Minha mãe sempre foi uma mulher pulsando de um lado pro outro, com muitas ideias e afazeres. Isso estava ali me inspirando sem que eu soubesse.

Óbvio que crianças sentem falta e adoram aquela tarde sortuda em que todo mundo tá em casa sem nada pra fazer , juntos. Mas sentir falta é também o fundamento da criação e invenção.

Por causa da minha mãe, a minha maternidade pôde encontrar paz no d



esejo pelos filhos e fora deles também. Eu os amo absurdamente, mas não são tudo pra mim.

Porque nessa maternidade cabe outros desejos, outras vontades , outras realizações e os meus filhos não são meus reféns.

Quero que eles queiram além de mim e faço isso querendo além deles também.

Isso não é tarefa fácil e talvez essa seja a verdadeira dureza e dificuldade do cuidado materno: ousar não ser tudo e suportar às vezes ser vista como insuficiente. Porque sou mesmo.

Do fundo da mulher e mãe que sou, eu agradeço a coragem e amor que levou a minha mãe a ousar não ser tudo pra mim. E foi justamente aí que ela se tornou a melhor mãe que eu poderia imaginar: Entregando todo amor e cuidado possível , mas ainda deixando espaço pro meu desejo, pro meu caminho. Ela olhou pra fora de mim e eu fiquei curiosa querendo o mundo lá fora também. Obrigada, mãe.

 
 
 

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