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Só se vive uma vez?

17 de abr.
2 min de leitura

Só se vive uma vez! Esse é o bordão que mais ouvimos quando alguém tenta nos incentivar a fazer algo mais arriscado. Um jeito de dizer: Aproveite.

Eu, completando meus 43 anos, sinto cada vez mais forte que, aqui, nesta vida, eu já vivi muitas vezes. Já me lancei em novidades que pareciam tão ousadas que ouvi repetidamente: “Nossa! Como você é corajosa!”. Ou, quando eram menos sutis: “Você é louca!”. Já apostei bastante, e sei que não acabou. Ainda pretendo viver outras vidas. Quem foi que disse que a vida precisa ser só uma? Que as escolhas precisam ser sentenças das quais você se orgulha ou se ressente para sempre? Talvez seja por isso que diante de uma escolha, o medo tome conta de um jeito tão terrível que parece que só alguém muito corajoso — ou louco — pode continuar escolhendo. Que nova vida vem depois dessa escolha? Eu já fui outra. Não sou definitiva. Como o vento, só ele sabe pra onde vai... A vida pode ser muitas. Cada experiência é um risco, mas, como eu disse a uma amiga que carinhosamente reconhecia coragem em mim por tomar algumas decisões: não é uma questão apenas de coragem, mas de desejo. Quando eu toco um desejo, já não consigo escapar. Não é só coragem. Porque, às vezes, estou em pânico, estou com medo, e não sigo apenas por ser corajosa, mas porque sei que não seguir é mais insuportável do que a perda necessária para viver a novidade que quero para mim. Não nego minhas coragens, mas acho importante destruir a ilusão de que quem vai em direção aos próprios desejos está sempre forte, sempre confiante. Não. Quem segue o desejo pela vida aposta — e quem aposta não tem certezas. Só sabe depois que já foi. E, além disso, viver muitas vidas também é viver muitos lutos. Perder é parte do custo de viver, até porque é nessa direção que todos vamos: Para a perda definitiva, não é? Então, talvez, o único jeito de fazer as pazes com fim — se é que isso é possível — seja viver dos frutos que os lutos que escolhemos nos trazem. E pra comemorar meu dia escolhi essa música que adoro: “Mas nunca vamos sobreviver se não enlouquecermos um pouco (...) Num céu cheio de gente, só alguns querem voar — isso não é loucura?

Num mundo cheio de pessoas, só algumas querem voar — isso não é loucura, loucura?”

Parece, então, que não há saída: ou serei louca porque sigo insistindo em viver muitas vidas em uma só, ou serei louca por não querer voar. Eu prefiro a loucura de muitas vidas.



 
 
 

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